Imagem Anne Geddes
A OBRA DE PIAGET: O CONSTRUTIVISMO
Ao estudar o desenvolvimento mental, Jean PIAGET baseou-se em observações cuidadosas e detalhadas de crianças em situações naturais, como o lar e a escola.
Criava hipóteses para explicar os fatos que observava e desenvolvia meios para testá-las: experimentos não-verbais, ao observar bebês, e experimentos verbais, ao observar crianças maiores.
De acordo com sua teoria, todas as crianças se desenvolvem intelectualmente:
Sensório motor ( 0 – 2 anos)
Pré- operatório ( 2- 7 anos)
Operatório Concreto ( 7- 11 anos)
Operatório formal (11- 15 anos ou mais)
A seqüência dos estágios é a mesma no desenvolvimento de todas as crianças, porém as idades em que se dá a mudança de um estágio para outro poderão variar.
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ESTÁGIO SENSÓRIO- MOTOR
Até um mês - Comportamentos como respirar, chorar ou sugar o leite materno são determinados hereditariamente e manifestam-se sob a forma de reflexos inatos.
1 a 4 meses- O toque físico permite as primeiras adaptações e o reconhecimento do ambiente. Repetições sucessivas testam as reações, cujos resultados são assimilados e incorporados a novas situações.
4 a 8 meses- Novos movimentos provocam ações sobre as coisas: toques sucessivos em móbiles, pequenos barulhos e movimentos que estimulam o interesse.
8 a 12 meses- O bebê aplica formas já conhecidas por ele para resolver situações novas: sentado no cadeirão, pega com as mãos os alimentos e joga objetos no chão provocando reações diferentes.
12 a 18 meses- As experiências com objetos ampliam os meios para entendimento de novas situações. A criança começa a considerar, por exemplo, que os objetos saem da visão, como uma bola atrás de uma almofada.
18 A 24 MESES- Surgem combinações mentais e de ações. Os jogos de encaixe tornam-se instigantes. Há uma mudança qualitativa da organização da inteligência, que passa de sensível e motora para mental.
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ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO
Neste período, que vai dos 2 aos 7 anos, ocorre uma grande transformação na qualidade do pensamento em relação ao primeiro estágio.
O pensamento da criança não está mais limitado a seu ambiente sensorial imediato em virtude do desenvolvimento da capacidade simbólica.
A criança começa a usar símbolos mentais, imagens ou palavras, que representam coisas e pessoas que não estão presentes.
Há uma verdadeira explosão lingüística, um considerável aumento de vocabulário, bem como da habilidade de entender e usar as palavras.
A criança que, aos 2 anos, possuía um vocabulário de duzentas a trezentas palavras, por volta dos 5 anos entende mais de duas mil palavras e já forma sentenças gramaticalmente corretas.
PIAGET notou, nesta fase, várias características do pensamento infantil:
Egocentrismo: incapacidade de se colocar no ponto de vista de outra pessoa.
Na teoria de PIAGET, “egocentrismo” não é um termo pejorativo, mas um modo característico do pensamento.
De modo geral, as crianças pequenas, de 4 a 5 anos, são incapazes de aceitar o ponto de vista de outra pessoa quando este difere do delas.
Centralização: a criança consegue perceber apenas um dos aspectos de um objeto ou acontecimento.
Ela não relaciona entre si os diferentes aspectos ou dimensões de uma situação.
Isto é, PIAGET diz que a criança, antes dos 7 anos, focaliza apenas uma única dimensão do estímulo, centralizando-se nela e sendo incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo.
Realismo nominal: Trata-se de um outro modo característico de a criança pequena pensar. Ela pensa que o nome faz parte do objeto, que é uma propriedade do objeto que ele representa.
A criança bilíngüe parece adquirir, bem antes que as outras, a distinção entre o objeto e a palavra que o designa, por ter a experiência de que um objeto é chamado de determinada forma em uma língua, mas de forma bem diferente em outra.
Classificação: Elas não usam um critério definido para fazer a tarefa.
Agrupam as coisas ao acaso, pois não têm uma concepção real de princípios abstratos que orientem a classificação.
Inclusão de classe. Embora aos 5 anos a criança já consiga classificar os objetos, ela ainda tem dificuldade de entender que uma coisa possa pertencer, ao mesmo tempo, a duas classes diferentes.
Seriação: as crianças pequenas são incapazes de lidar com problemas de ordenação ou seriação.
Conservação do número: Crianças pré-operacionais, mesmo que já saibam contar verbalmente 1, 2, 3, 4..., ainda não construíram o conceito de número.
Irreversibilidade: muitas vezes, são incapazes de entender que as transformações que acontecem podem ser revertidas, voltar ao estado original.
Animismo: Nesse estágio as crianças supõem que os objetos são vivos e capazes de sentir, que as pedras (e mesmo montanhas ) crescem, que os animais entendem a fala e também podem falar, e assim por diante.
OPERAÇÕES CONCRETAS
Começam as operações chamadas de lógico-concretas, nas quais as respostas baseiam-se na observação do mundo e no conhecimento adquirido.
É a fase de escolarização, dos primeiros textos e operações matemáticas.
Internalização: uma ação pode ser realizada em pensamento tão bem quanto materialmente.
Reversibilidade: implica em conservação e em possíveis transformações.
Conservação: neste estágio, a capacidade de operar logicamente (descentrar, inverter e reverter operações) estabelece definitivamente a característica da conservação.
Inclusão de classes: a criança tem noção mais avançada de classes, em sentido abstrato. Compreende relações entre classes e subclasses, reconhecendo que um objeto pode pertencer a duas delas simultaneamente.
Conceito de número: com a habilidade de manipular símbolos e conceitos adquiridos neste período, as crianças se tornam capazes de compreender a aritmética.
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OPERATÓRIO FORMAL
Após os 12 anos, as operações lógicas serão realizadas entre as idéias, expressas numa linguagem qualquer (palavras ou símbolos), sem necessidade da percepção e da manipulação da realidade.
O pensamento formal é, portanto, hipotético-dedutivo, isto é, capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses, e não somente através de observação real.
O adolescente pode considerar hipóteses que talvez sejam ou não verdadeiras e examinar o que resultará se essas hipóteses forem verdadeiras. Ele pode acompanhar a “forma” de um argumento, embora ignore seu conteúdo concreto. É desta última característica que as operações formais recebem o nome.
Um adolescente raciocina cientificamente, formulando hipóteses e comprovando-as, na realidade ou em pensamento. Enquanto o pensamento de uma criança mais nova envolve apenas objetos concretos, o adolescente já pode imaginar possibilidades. Quando tem por volta de 15 anos, o adolescente resolve problemas analisando-os logicamente e formulando hipóteses a respeito de resultados possíveis, a respeito do que poderia ocorrer.
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